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Planejamento estratégico do crescimento alinhado à transparência

  • Foto do escritor: EcoMetrologia
    EcoMetrologia
  • 9 de fev.
  • 5 min de leitura

Crescer não é simplesmente aumentar a produtividade ou aumentar o número de vendas ou comercialização de um serviço. Crescer é aprimorar processos, levantar informações e estruturar um plano para que o crescimento seja saudável para a empresa e para os colaboradores. Dados apontam que o crescimento em disparada sem planejamento pode afetar substancialmente a integridade das empresas, levando a gastos descontrolados, alta circulação de colaboradores e degradação da imagem no mercado e entre os consumidores e clientes, a qual pode ter levado anos para ser consolidada.

Considerando isto, crescer é planejar e nada mais essencial que compreender os próprios dados para estruturar um planejamento estratégico para o crescimento. Ao compreender os dados referentes à estrutura da empresa (financeiro, administrativo, comercial, logístico e operacional), o empreendedor e a equipe de gestão conseguem prever cenários possíveis, traçar rotas e esquematizar pontos para reestruturação com olhos na melhoria contínua.

 

Sistemas de Gestão Integrados, Análise Crítica e Riscos com base em dados

 

Atualmente, praticamente todas as normas associadas aos Sistemas de Gestão ISO, como a ISO 9000 e 14000, primam pela integração dos dados corporativos aos esquemas analíticos de gestão das empresas. Em outros artigos traremos mais a fundo as normalizações dos Sistemas de Gestão (SG); aqui precisamos somente compreender que o alicerce de todo e qualquer SG está nos dados e nas informações adquiridas e produzidas pelas empresas, tanto para a manutenção do sistema quanto para a publicização das performance corporativa.

Ponderando sobre isso, considere um banco de dados cadastrais dos clientes de uma empresa, onde constam todas as informações necessárias para compreender a relação da empresa com o cliente, desde informações pessoais até questões de compras, pagamentos, inadimplências, entregas, entre outras. Notoriamente, são dados que não são compartilhados publicamente, mas que podem ser solicitados pelos clientes e devem ser disponibilizados (conforme expressa a LAI).

A LGPD permite que o empreendedor trate os dados para projetar seus cenários e determinar se a relação com determinado cliente é positiva e favorece o crescimento ou se não o é. Pensando nisso, o empreendedor pode utilizar os dados do sistema (ou mesmo exportá-los para realizar as análises em outros programas, como Excel ou BI) para gerar relatórios sistêmicos que vão demonstrar a performance da empresa em determinado período.

Continuando com o exemplo acima, imagine que os dados podem gerar gráficos sobre o número de inadimplentes, o faturamento, o lucro, o custo de operação, o custo de produção, entre outros. Ao verificar, por exemplo, que o lucro não está cobrindo o valor de operação tem-se um alerta vermelho de que a empresa está em déficit e precisa encontrar caminhos para corrigir este grave problema. Por outro lado, ao apurar que muitos clientes do mês anterior não realizaram compras neste mês, o empreendedor recebe um sinal que pode ter várias causas raízes, como cobertura da cartela de clientes, problemas nos produtos, problemas nas entregas ou rejeição.

Diante destas situações analíticas, os empreendedores são induzidos a uma análise crítica e a uma gestão de riscos, temas que também serão abordados em profundidade em outros artigos. De modo sucinto, a análise crítica envolve uma metodologia interpretativa sobre o resultado obtido na análise, buscando compreender quais fatores levaram àquele resultado analítico. Por outro lado, brevemente, a gestão de risco busca compreender como aquele resultado afeta a performance da empresa e as dinâmicas operacionais dela. É também através destes dois instrumentos que a empresa consegue planejar os meios para encontrar as causas raízes dos problemas analíticos e determinar as ações corretivas para garantir a solução do problema ou do risco.

Com esta ideia em mente, conseguimos já suscitar ao que é parte do planejamento estratégico. Por meio da compreensão dos problemas e as causas raízes através dos dados adquiridos/produzidos e tratados pelas empresas, os empreendimentos conseguem traçar as rotas para determinar as soluções possíveis e as medidas a serem tomadas para reduzir ou anular o risco ou o problema. Por medidas não devemos entender algo pontual, que se faz e ponto; devemos considerar “medidas” como algo contínuo, algo que passa a integrar a dinâmica operacional e a cultura da empresa, algo permanente que está associado ao alerta proveniente do risco ou do problema.

Aqui devem ser apontadas ações simples, como o uso de um equipamento de proteção individual (EPI) ou o aumento do número de colaboradores nas vendas, como ações complexas, as quais podem requerer a alteração de todo o processo do empreendimento ou a alteração de um sistema organizacional inteiro. Portanto, entende-se que análise crítica e gestão de riscos integram de forma substancial o planejamento estratégico, porque é através das duas ferramentas que os empreendimentos passam a conhecer e a estruturar a sua própria dinâmica de resolução de problemas.

 

Projetando cenários com base nas informações

 

Mas não é só de resolução de problemas que o planejamento estratégico, com base em dados, se constrói. O planejamento estratégico também se utiliza dos dados para projetar cenários de crescimento e para a ampliação da produção ou da oferta de serviços e produtos, como abordamos anteriormente. Nesta ótica, considerando a análise dos dados e a integração de diferentes informações nas análises, os empreendedores conseguem compreender como os processos empresariais estão frente a capacidade de realização da produção ou da oferta (serviços e produtos).

Considere que determinada empresa está produzindo seus produtos trabalhando com uma capacidade de 100%, ou seja, ela está no seu limite produtivo. Ao tratar os dados e analisá-los, o empreendedor e sua equipe conseguem identificar que é impossível produzir mais do que já está sendo produzido. Assim, para aumentar a sua produção é preciso realizar o planejamento estratégico do crescimento, o qual vai envolver o levantamento dos custos para aumentar a produção, seja na aquisição de bens de consumo (maquinário, insumos, aumento da planta industrial), seja a contratação de novos colaboradores.

Durante o planejamento estratégico baseados em evidências (dados e informações), os empreendimentos conseguem visualizar a viabilidade da realização da ampliação. Se, por exemplo, a empresa está produzindo com 100% da capacidade e seu lucro não aumenta de forma a propiciar a aquisição dos bens e a contratação de pessoal, há alguma distorção financeira que está afetando o processo, requerendo uma análise crítica da performance e dos custos operacionais. Problemas assim podem ser derivados de precificações incorretas, gastos decorrentes de pessoas físicas em detrimento de pessoas jurídicas ou até de fraudes e corrupções internas.

Por tal motivo, a LGPD determina a integração de pessoas como controlador, operador e DPO para assegurar a segurança e qualidade da informação. O motivo pode não parecer óbvio, mas são estas figuras que dão suporte à compreensão dos dados e vão conseguir demonstrar com eficiência e precisão determinadas inconsistências nos dados. No meio privado, figuras como analistas e gestores devem demonstrar capacidade técnica para realizar tais interpretações analíticas e sinalizar problemas que impedem o crescimento financeiro saudável das empresas.

Em contrapartida, retomando a reflexão sobre o planejamento estratégico, se os dados demonstram que a produção em 100% está retornando um lucro significativo, cobrindo todos os custos operacionais e permitindo o reinvestimento no aprimoramento do processo, os dados vão indicar que há possibilidade da aquisição dos bens e da contratação. Notoriamente, não é pensar “tenho o dinheiro e vou realizar a ação agora”; pelo contrário, o planejamento estratégico vai envolver as etapas para a consolidação desta aquisição, pois, é preciso ter reserva monetária para eventuais riscos ou problemas que podem surgir no percurso de consolidação.

 

Em síntese...

 

Portanto, entendemos como a aquisição e a produção, o tratamento e a análise de dados são fundamentais para o planejamento estratégico. Ressaltamos que estes dados valem ouro na construção de modelos de negócios que intencionam se consolidar no mercado, utilizando estas informações para estruturar um planejamento estratégico para o crescimento. Os dados também são de suma importância para entender a saúde dos empreendimentos, seja no que tange as próprias relações (esquemas operacionais), seja no que resguarda as relações do empreendimento com clientes e consumidores. No próximo artigo traremos um complemento sobre o Planejamento Estratégico com base em dados; então, fique ligado que retornaremos em breve!

 
 
 

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